
Sobre o 80unds
Dois ouvintes. Uma década. Um diálogo que nunca parou.
Dois ouvintes. Uma década. Um diálogo que nunca parou.
Do Satã ao Sintetizador
Tudo começou com um quase conflito.
Na Mooca. No Madame Satã. Uma camiseta de heavy metal em meio ao synthpop e ao new wave. Um olhar desconfiado. E, no fim, uma risada. Amizade.
Foi ali, entre batidas eletrônicas e tensão dissipada, que Heavāo nasceu — não como nome, mas como atitude. Um símbolo de quem escolheu o som em vez da briga, a curiosidade em vez do julgamento.
E ao lado dele, sempre, estava Gerardcore — fusão de um apelido francês e do espírito punk hardcore. Desde moleques, os dois compartilhavam algo raro: um filtro sonoro apurado, uma sensibilidade para o que soava novo, diferente, verdadeiro.
A música foi a ponte.
O tempo, o companheiro.
E o passado, nunca enterrado — apenas esperando ser revisitado.
Como o 80unds Começou
Há cerca de dois anos, depois de tantas conversas sobre discos, DJs e descobertas, surgiu a ideia simples:
Por que não gravar isso?
Não como historiadores.
Não como especialistas.
Mas como dois amigos que viveram aquilo — e que ainda sentem o pulso daquela década vibrar.
Assim nasceu o 80unds: um espaço em áudio para lembrar, explorar, celebrar.
Sem romantizar. Sem excluir.
Apenas ouvir com intenção.
O nome vem do óbvio — os anos 80.
Mas também do sound.
Do found.
Do que foi encontrado, resgatado, redescoberto.
O Que Nos Move
Para Heavāo, tudo mudou com “Entertain Me”, do Soft Cell.
Uma faixa. Um álbum. Uma revista (Melody Maker) comprada na Paulista.
E, de repente, um mundo inteiro se abriu: Duran Duran, Gary Numan, Front 242, Ultravox — cada banda, um novo universo sonoro.
Para Gerardcore, foi The Man-Machine, do Kraftwerk, emprestado por Heavāo.
Um disco. Uma estética. Uma maneira de pensar o som como extensão da mente.
Ambos aprendemos da mesma forma:
Ouça quem compõe. Respeite quem cria. Desconfie do que é só aparência.
Nunca fomos de singles.
Somos de álbuns. De bandas que tocam o que escrevem. De sons que misturam acústico e eletrônico como se fosse natural.
Nosso Papel Aqui
Não somos curadores.
Não somos arquivistas.
Prefiro dizer: somos amigos da cultura.
Conversamos como conversaríamos num boteco, depois do show, com um vinil rodando ao fundo.
Às vezes falamos do óbvio.
Outras vezes, mergulhamos no raro.
Um traz o clássico. O outro, o obscuro.
Juntos, montamos um retrato vivo da época — sem hierarquia, sem elitismo.
Respeitamos todas as formas de ouvir.
Mas temos um critério claro:
Valorizamos a autoria. A criatividade. O risco.
Por Que Isso Ainda Importa
Porque os anos 80 foram a década mais criativa da história recente.
Novos estilos nasciam toda semana.
Algo podia soar caótico, frio, artificial — e ainda assim emocionar profundamente.
Os britânicos entenderam isso antes de todos:
Tecnologia + emoção = revolução.
E aqui, no Brasil, vivemos isso à nossa maneira — na Mooca, no Madame Satã, nas fitas cassetadas, nos rádios piratas, nas lojas de disco que viravam templos.
Queremos manter isso vivo.
Não como nostalgia vazia.
Mas como memória ativa.
Onde Queremos Chegar
Por enquanto, é só um podcast.
Mas sonhamos maior.
Eventos online. Festivais sonoros. Playlists imersivas — em vídeo, em áudio, em grupo.
Merchandising simples, com identidade visual limpa.
Um movimento cultural, feito por ouvintes, para ouvintes.
Queremos que o 80unds cresça.
Que alcance milhares.
Que inspire novas escutas.
Mas, acima de tudo:
Queremos que continue sendo um gesto de amizade.
Entre nós.
Entre você e a música.
Entre o passado e o agora.
Participe Desta Conversa
Se este som te move,
se você já sentiu aquele frio na espinha ao ouvir um sintetizador começar,
se já dançou sem querer em algum lugar escuro,
então você já faz parte.
Ouça o primeiro episódio.
Faça o Desafio Heavāo.
Compartilhe com alguém que entenda.
Este não é um projeto sobre o que acabou.
É sobre o que nunca parou de tocar.
